Boate Kiss: o que a perícia mostrou
Não foi o fogo que matou a maioria. Foi a fumaça.
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tomar a boate
O caso em 30 segundos
- Na madrugada de 27/01/2013, um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), matou 242 pessoas e feriu mais de 600.
- Eram, na maioria, jovens universitários numa festa de turmas da UFSM.
- Um artefato pirotécnico aceso no palco pôs fogo na espuma do teto.
- A perícia mostrou que a maioria morreu pelos gases tóxicos da espuma, e não pelas chamas.
- Os sócios e dois integrantes da banda foram condenados em 2021. Depois, o júri foi anulado, restabelecido e as penas recalculadas.
Da madrugada até hoje
Um artefato pirotécnico é aceso no palco. O fogo pega na espuma do teto.
Reconstituição oficial. Os laudos, com mais de mil páginas, saem em 7 de fevereiro.
Júri em Porto Alegre condena os quatro réus a penas de 18 a 22 anos e meio.
O TJRS anula o júri por irregularidades no sorteio dos jurados. Os réus são soltos.
O STF restabelece as condenações e manda prender os réus.
O TJRS recalcula as penas: 12 anos para os sócios e 11 para a banda.
Como a fumaça tomou a boate
Durante o show, um artefato conhecido como “Sputnik”, feito para uso ao ar livre, é aceso no palco.
As faíscas atingem a espuma de poliuretano, no canto do palco. O extintor perto não funciona.
A fumaça preta e tóxica, com cianeto e monóxido de carbono, toma o ambiente.
A fumaça já desce a cerca de 1,5 m do chão. Só sobrevive quem consegue rastejar.
Grades de ferro atrapalham a fuga. Sem enxergar, muitos correm para os banheiros achando que era a saída.
Os 5 vestígios que contaram a história
A espuma do teto
O forro tinha espuma de poliuretano, inflamável e proibida por lei municipal. O laudo de março de 2013 confirmou: ao queimar, ela libera gás cianídrico, monóxido e dióxido de carbono.
O que a defesa disse
Os sócios disseram que não sabiam do perigo da espuma e que a casa funcionava com o conhecimento das autoridades. As defesas apontaram falhas do poder público na fiscalização.
O cianeto no sangue
O IGP, com apoio de um laboratório de química forense de La Plata, na Argentina, achou cianeto e carboxi-hemoglobina no sangue das vítimas. A causa: asfixia pela inalação de gases tóxicos.
O limite
O cianeto é instável. Em fevereiro de 2013, os primeiros exames não acharam nível suficiente para matar, e foram pedidas contraprovas. E os dois gases agem juntos: nem sempre dá para separar o peso de cada um.
A prova de que respiravam
Só entra fumaça no pulmão e CO no sangue de quem está respirando. A carboxi-hemoglobina alta, bem acima da de fumantes, mostrou que as vítimas estavam vivas quando a fumaça chegou.
O limite
Os detalhes de cada necropsia não são públicos. Aqui a resposta era quase óbvia. Num incêndio com corpos carbonizados, essa pergunta vira o centro da perícia.
O modelo 3D da boate
Com scanner, os peritos fizeram uma “caminhada virtual” pela boate, acharam a origem do fogo e estudaram o caminho da fumaça. Ingressos, hospitais e depoimentos mostraram a superlotação.
O limite
Os corpos foram retirados poucas horas depois, antes de os livores se fixarem. A dinâmica veio da planta, dos depoimentos e do modelo 3D.
A identificação
Como a maioria morreu por asfixia, e não carbonizada, os corpos estavam preservados. A identificação foi feita principalmente pelas digitais, e os casos duvidosos, por arcada dentária e DNA.
O limite
Parte da primeira lista veio do reconhecimento por familiares, o método menos confiável. As autoridades locais chegaram a informar 233 mortos, número corrigido depois pelo IGP.
O desfecho
No júri de 2021: 22 anos e 6 meses e 19 anos e 6 meses. Hoje, os dois estão no regime aberto, com tornozeleira.
No júri de 2021: 18 anos cada. Hoje, os dois estão em livramento condicional.
O júri de 2021 foi anulado em 2022 e restabelecido pelo STF em 2024. Em setembro de 2026, a relatora no STJ votou por aumentar as penas, mas um pedido de vista suspendeu o julgamento. Até outubro de 2026, valem as penas de 2025.
E se fosse hoje?
Sangue colhido cedo, em frasco cheio, vedado e refrigerado, tudo registrado na cadeia de custódia. Ajudaria a explicar um resultado baixo.
Ajudaria a triar dezenas de corpos em pouco tempo, mostrando fraturas por pisoteamento.
Registraria a posição de cada corpo, guardando o que os livores e a rigidez diriam depois.
Continue investigando
Toda quarta, às 21h, eu abro um caso real ao vivo.
Perguntas frequentes
Do que morreram as vítimas da Boate Kiss?
A maioria morreu asfixiada pelos gases da espuma do teto, principalmente cianeto, junto com monóxido de carbono. Pisoteamento e queimaduras tiveram papel menor.
Quantas pessoas morreram na Boate Kiss?
242 pessoas, a maioria jovens universitários. Mais de 600 ficaram feridas.
O que causou o incêndio?
Um artefato pirotécnico de uso externo, aceso durante o show da banda, atingiu a espuma de poliuretano do teto.
Os réus da Boate Kiss estão presos?
Não. Desde 2025, as penas são de 12 anos para os sócios e 11 para a banda, cumpridas fora do presídio. Um recurso no STJ que pode aumentá-las está suspenso.
Fontes
Material da aula e as matérias:
- Incêndio em boate de Santa Maria mata 233 pessoas e fere mais de cem · Gazeta do Povo, 27/01/2013
- Para abafar som, boate usou espuma proibida · Gazeta do Povo, 30/01/2013
- Boate Kiss: último laudo chega e conclusão do inquérito fica perto · Jornal do Brasil, 19/03/2013
- Penas para réus da Boate Kiss vão de 18 a 22 anos de prisão · Agência Brasil, 10/12/2021
- Boate Kiss: quatro réus são soltos após a Justiça anular o júri · Estado de Minas, 04/08/2022
- Depois de 11 anos, Boate Kiss é demolida para construção de memorial · Jornal do Comércio, 29/07/2024
- Toffoli mantém Júri da Boate Kiss e determina prisão de condenados · Migalhas, 02/09/2024
- Boate Kiss: relatora no STJ vota por aumentar penas dos condenados · Correio Braziliense, 16/09/2026
Texto educativo, feito a partir do material da aula e de matérias públicas. Em respeito à memória das 242 vítimas, aos sobreviventes e às famílias, não usamos fotos das vítimas.