Caso Elize Matsunaga: o que a perícia mostrou
Apartamento lavado e nenhuma testemunha. Quem contou a história foi o descarte.
três malas
sem elas
na estrada
que divergiram
O caso em 30 segundos
- Em 19/05/2012, Marcos Matsunaga, 41 anos, diretor da Yoki, foi morto com um tiro no apartamento do casal, em São Paulo.
- A esposa, Elize, atirou com uma pistola dele, depois de uma discussão sobre uma traição.
- No dia seguinte, ela saiu com o corpo em três malas e espalhou as partes numa estrada de Cotia.
- Sem testemunha e com o apartamento lavado, a prova veio do descarte: câmeras, celular, sacos plásticos e luminol.
- Presa, negou. Diante das imagens, confessou. Foi condenada pelo júri em 2016.
O caminho das malas
Câmeras mostram Marcos descendo para pegar uma pizza e voltando. Depois, ele não aparece mais.
Elize desce pelo elevador de serviço com três malas e sai de carro.
Ela volta ao prédio sem as malas.
Moradores acham sacos plásticos com partes de um corpo na Estrada dos Pires, em Cotia.
Identificação formal em 4/06. Elize é presa, nega e, diante das imagens, confessa.
Fim do júri de sete dias. Condenada a 19 anos, 11 meses e 1 dia.
A rota do descarte
Onde houve o tiro. Foi lavado, mas o luminol achou sangue na sala, no corredor e no quarto.
Câmeras do prédio: saída às 11h30 com três malas, volta às 23h50 sem elas.
Ela seguiu em direção à cidade natal, desistiu em Capão Bonito e voltou.
Cinco pontos de descarte, achados aos poucos por moradores. O celular marcou a passagem dela pela região.
A faca foi para uma lixeira de shopping e as malas para uma caçamba. A faca nunca foi achada.
Descartar não destrói, transfere: a estrada virou um segundo local de crime.
Os 5 vestígios que decidiram
As roupas sem documento
Sem documento, só roupas de grife: jeans Diesel e camiseta Ralph Lauren. Sinal de vítima de alto poder aquisitivo. O irmão de Marcos já tinha registrado o desaparecimento.
O limite
Roupa de grife aproxima, mas não identifica. O nome só veio com a identificação formal, em 4 de junho, cerca de quinze dias depois do crime.
Os sacos plásticos
Os sacos importados que sobraram no apartamento eram idênticos aos que embalavam os restos em Cotia. Por ser produto importado, fora do comum, a coincidência teve peso.
O limite
“Idêntico” aqui quer dizer mesmo tipo de saco. Não há registro público de exame de encaixe ou de estrias entre os sacos e o rolo da casa. Sem isso, não prova que saíram daquele rolo.
Câmeras e celular
As câmeras do prédio registraram a saída com três malas e a volta sem elas. Os dados do celular marcaram a passagem dela pela região do descarte.
O limite
Câmera mostra as malas, não o que havia dentro. E a antena de celular indica uma área, não um ponto exato.
O luminol na cena lavada
Na reconstituição, o luminol revelou sangue lavado, invisível a olho nu, e refez o trajeto do corpo: sala, corredor e quarto. Os pontos batiam com a versão dela.
O limite
É teste de orientação: mostra onde pode haver sangue, não quando nem de quem. Água sanitária e alguns metais também reagem. Depois vêm os testes de confirmação e o DNA.
Os dois laudos do IML
O primeiro laudo achou sangue nos alvéolos: Marcos ainda respiraria durante o corte. Também apontou tiro no lado esquerdo do crânio, de cima para baixo, a curtíssima distância.
O que a defesa disse
Que a gravidade bastava para o sangue descer aos pulmões. Após a exumação de 2013, um novo laudo do IML disse que ele já estava morto. Os jurados afastaram o meio cruel.
A sentença
Homicídio qualificado e destruição e ocultação de cadáver. Os jurados afastaram o meio cruel e o motivo torpe.
Pena do homicídio, com a confissão aceita como atenuante. Somada à do cadáver, o total fica em cerca de 17 anos e 5 meses.
Em 2019, o STF negou novo recurso. Em maio de 2022, depois de cerca de dez anos presa, Elize saiu em livramento condicional.
E se fosse hoje?
Cada saco, cada mala e o rolo que ficou na casa com lacre e registro até o laboratório. Abriria espaço para o exame de encaixe dos sacos.
Guardaria o projétil, o trajeto do tiro e o sangue nas vias aéreas em imagens que não se decompõem.
Ajudariam a mapear os cinco pontos da Estrada dos Pires e a orientar a busca pelo braço que nunca foi achado.
Continue investigando
Toda quarta, às 21h, eu abro um caso real ao vivo.
Perguntas frequentes
Como a polícia descobriu que foi Elize?
Pelas câmeras do prédio, pelos dados do celular e pelos sacos iguais aos do descarte. Diante das imagens, ela confessou.
Marcos estava vivo quando o corpo foi cortado?
O primeiro laudo do IML disse que sim; o laudo feito depois da exumação de 2013 disse que não. Os jurados afastaram o meio cruel por falta de prova suficiente.
Qual foi a pena de Elize Matsunaga?
19 anos, 11 meses e 1 dia no júri de 2016. Em 2019, o STJ baixou a pena do homicídio para 16 anos e 3 meses, e o total ficou em cerca de 17 anos e 5 meses.
Elize Matsunaga está presa?
Não. Ela saiu em livramento condicional em maio de 2022 e vive em Franca (SP), com regras a cumprir até 2028.
Fontes
Materiais da aula (resumo do caso e técnica aplicada) e as matérias:
- Esposa confessa morte de executivo da Yoki · Gazeta do Povo, 06/06/2012
- Vestígios comprovam que Elize Matsunaga matou e esquartejou o marido · Correio Braziliense, 08/06/2012
- SP: laudo do IML aponta que Matsunaga foi esquartejado depois de morto · Terra, 12/04/2013
- Para legista, Matsunaga foi degolado quando ainda estava vivo · Exame, 30/11/2016
- Elize Matsunaga é condenada a 19 anos e 11 meses de prisão · Metrópoles, 05/12/2016
- Quinta Turma reduz pena de Elize Matsunaga por reconhecimento de confissão · STJ, 22/03/2019
- Elize Matsunaga deixa prisão, mas não pode sair à noite e não vai ver a filha · CNN Brasil, 31/05/2022
- O que é real e o que é ficção em filme de Elize Matsunaga da Netflix · CNN Brasil, 24/07/2026
Texto educativo, feito a partir de decisões judiciais e de matérias públicas. Em respeito à memória de Marcos e à família, não usamos fotos da vítima.