Caso Isabella Nardoni: o que a perícia mostrou
Sem confissão e sem testemunha. A condenação veio dos vestígios.
Edifício London
e a ligação
decidiram o júri
O caso em 30 segundos
- Em 29/03/2008, Isabella, de 5 anos, foi encontrada no jardim do prédio depois de cair do 6º andar.
- O pai e a madrasta disseram que um invasor jogou a menina pela janela.
- Não havia arrombamento, nada foi levado e o tempo não fechava.
- A perícia mostrou que ela foi agredida dentro do apartamento e jogada ainda viva.
- Em 2010, o pai e a madrasta foram condenados pelo júri.
A noite em 13 minutos
O rastreador registra o motor do carro desligado na garagem.
O casal sobe com as crianças. Isabella cai da janela do quarto dos irmãos.
Sai a primeira ligação para o socorro.
Reconstituição no prédio, das 9h40 às 17h15, com boneca do mesmo peso e tamanho.
Júri de 5 dias. Pai e madrasta condenados.
O caminho do sangue
Esquema simplificado, fora de escala. Gotas reveladas com Bluestar, da porta até a tela da janela.
Os 5 vestígios que decidiram
O sangue que não se via
Com Bluestar (à base de luminol), a perita achou gotas da porta até a janela do quarto dos irmãos, com sinais de limpeza. Gotas redondas, de alguém ferido sendo carregado. O DNA confirmou: era de Isabella.
O que a defesa disse
A perita chegou 4 dias depois, e antes dela já tinham feito coletas. Para a defesa, as falhas na trilha podiam ser da própria perícia. E o reagente também reage com água sanitária e metais: só o DNA confirma. No carro, o DNA não foi conclusivo.
A tela cortada
A tela rompida era a do quarto dos irmãos, não a do quarto de Isabella. O corte foi feito por dentro. Na cozinha, uma tesoura tinha um pedaço da tela preso nela.
O limite
O corte mostra por onde ela saiu e que foi feito de dentro, mas não diz sozinho quem cortou.
A marca na camiseta
Na camiseta do pai apareceu o desenho da trama da rede de proteção. Segundo a perita, essa marca só se forma ao carregar cerca de 25 kg encostado na tela. Foi comparada quadrado por quadrado, pela foto com escala.
O limite
Marca de trama mostra contato com uma tela daquele padrão. Não diz quando foi nem com que intenção. Ganhou força somada ao resto.
Os 13 minutos do rastreador
Motor desligado às 23h36, socorro chamado às 23h49. Um horário que não depende da memória de ninguém. A reconstituição testou se a versão do casal cabia nesse tempo e nesse espaço.
O limite
O rastreador marca o carro, não as pessoas. E a reconstituição mostra o que é possível, não prova sozinha quem fez o quê.
O que o corpo mostrou
Esganadura: marcas de unha em meia-lua e de dedos no pescoço. Lesões na testa e no punho feitas com ela ainda viva, antes da queda.
O que a defesa disse
Um perito da defesa disse que parte das lesões podia ser da queda. Um laudo de 2013 disse que as marcas não seriam das mãos dos acusados. A Justiça rejeitou os dois.
A sentença
Depois corrigida para 30 anos, 2 meses e 20 dias pelo homicídio. Regime aberto desde maio de 2024.
Regime aberto desde junho de 2023.
Os dois também foram condenados por fraude processual, que é alterar a cena, como limpar o sangue. Em setembro de 2026, o STJ negou um pedido para que voltassem ao regime fechado.
E se fosse hoje?
Registro de quem entrou na cena, quando e para quê. Responderia melhor à tese da trilha interrompida.
Guardaria todas as medidas da cena nas primeiras horas, inclusive para a defesa.
Ajudaria a separar o que veio da queda e o que veio antes, que foi a briga entre os laudos.
Continue investigando
Toda quarta, às 21h, eu abro um caso real ao vivo.
Perguntas frequentes
Como a perícia provou que ela foi agredida dentro do apartamento?
Pela trilha de sangue da porta até a janela, confirmada por DNA, e pelo laudo do corpo, que mostrou esganadura e lesões feitas antes da queda.
O que eram os 13 minutos?
O tempo entre o motor do carro desligado na garagem (23h36) e a primeira ligação para o socorro (23h49).
Qual foi a pena de cada um?
Alexandre: pouco mais de 31 anos, depois corrigida para 30 anos, 2 meses e 20 dias. Anna Carolina: 26 anos e 8 meses. Os dois também por fraude processual.
O que a defesa contestou?
Que parte das lesões viria da queda, que a perícia teria interrompido a trilha de sangue e que as marcas no pescoço não seriam das mãos dos acusados. A Justiça rejeitou essas teses.
Fontes
Autos do processo (pronúncia do TJSP, 2009, e sentença do júri, 2010) e as matérias:
- Caso Isabella: Cronologia · Correio Braziliense, 23/04/2008
- Simulação do assassinato de Isabella dura 7 horas · Folhapress, 28/04/2008
- Termina segundo dia de julgamento do casal Nardoni · Gazeta do Povo, 23/03/2010
- Perita descarta violação da cena do crime · Conjur, 24/03/2010
- Alexandre Nardoni e Anna Carolina são condenados · Conjur, 27/03/2010
- Em regime aberto, Anna Jatobá deixa de cumprir 8 anos · Metrópoles, 21/06/2023
- Justiça concede a Alexandre Nardoni regime aberto · Agência Brasil, 06/05/2024
- STJ nega pedido para prender o casal de novo · CNN Brasil, 03/09/2026
Texto educativo, feito a partir dos autos e de matérias públicas. Em respeito à memória de Isabella e à família, não usamos fotos da vítima.