Serial killer de Curitiba: o que a perícia mostrou
Três mortes, um sobrevivente e as câmeras dos prédios. Quem deu nome ao autor foi a identificação.
abril e maio
mudou o caso
no Paraná
fecharam o caso
O caso em 30 segundos
- Entre abril e maio de 2021, três homens gays que moravam sozinhos foram achados mortos em casa, no Paraná e em Santa Catarina.
- O autor marcava encontros pelo Grindr, aplicava um mata-leão e levava celular, notebook, dinheiro e às vezes o carro.
- Em 11 de maio, um quarto homem escapou do golpe e foi à polícia.
- Câmeras dos prédios e reconhecimento facial levaram a José Tiago Correia Soroka, preso em 29/05/2021.
- Ele confessou as três mortes. Foi condenado a mais de 104 anos no Paraná e a 30 em Santa Catarina.
Da primeira morte à prisão
Robson Olivino Paim, professor da UFFS, é morto em Abelardo Luz (SC).
O enfermeiro David Júnior Alves Levisio é morto em Curitiba.
O estudante de Medicina Marco Vinício Bozzana da Fonseca é morto no bairro Portão.
No Bigorrilho, um homem escapa do mata-leão e procura a polícia.
Soroka é preso no bairro Capão Raso, em Curitiba.
Condenado no Paraná a 104 anos, 4 meses e 6 dias.
Como a polícia chegou a ele
A DHPP comparou as mortes de David e Marco Vinício: mesmo perfil, mesma asfixia, corpo na cama, pertences levados.
O homem atacado em 11 de maio descreveu o agressor e ajudou no retrato falado.
As câmeras dos condomínios mostravam um homem de mochila saindo dos prédios das vítimas, na hora dos crimes.
O reconhecimento facial bateu as imagens com as fotos das prisões dele em 2015 e 2019.
A troca de informações com Santa Catarina ligou a morte de Robson ao mesmo autor.
Aqui, identificar foi dar nome ao autor. A antropologia forense faz o caminho contrário: dá nome à vítima.
As 5 provas que fecharam o caso
A assinatura na cena
O autor vestia de novo a vítima, deixava o corpo na cama e trancava a porta por fora. O jeito de matar mudou, mas essa marca se repetiu.
O limite
Padrão aponta caminho, mas não identifica ninguém. A polícia comparou o caso com a morte de um médico em 2016. Soroka negou, e nunca houve condenação.
O rosto nas câmeras
As imagens dos condomínios foram comparadas com as fotos das prisões anteriores. Para o delegado Thiago Nóbrega, o reconhecimento facial foi “uma prova importante”.
O limite
Era pandemia: numa das imagens, o homem está de máscara e com a cabeça coberta. A biometria erra com imagem ruim. Serviu de indicação, fechada por outras provas.
O sobrevivente
Ele escapou do mata-leão, pediu ajuda a um vizinho e contou o ataque, inclusive a frase “Eu sou o Coringa”. Depois reconheceu Soroka.
O limite
A memória falha. Desde 2020, o STJ exige que o reconhecimento siga as regras do art. 226 do CPP. Por isso o relato valeu somado às outras provas.
O que as necropsias mostraram
Asfixia mecânica nas três vítimas. Segundo a Folhapress, David e Marco Vinício estavam com as mãos amarradas. Marco Vinício já tinha sinais de decomposição.
O limite
Sem sinais de resistência nos corpos, uma entidade LGBTI falou que as vítimas podiam ter sido dopadas. Só o toxicológico responde, e não há resultado público.
A confissão
Preso, Soroka confessou as três mortes e de 10 a 20 roubos. Disse que matava para roubar e comprar drogas, e negou ter outras vítimas.
O limite
Na morte de Robson, ele confessou na delegacia e voltou atrás em juízo. Por isso pesou a soma das provas.
A sentença
Regime fechado, por latrocínio (dois consumados e um tentado), extorsão e roubo. Sentença de 8/7/2022.
O tribunal manteve a pena e negou trocar latrocínio por homicídio simples.
Como a acusação foi de latrocínio, não houve júri. Mesmo assim, a juíza escreveu que “o ódio que o acusado manifesta contra a comunidade LGBTQIA+ restou evidente”.
E se fosse hoje?
Feito por perito, com método descrito, daria mais peso ao reconhecimento. Desde 2022, uma resolução do CNJ traz regras para isso.
Coletado com cadeia de custódia, poderia ser comparado com o perfil do suspeito.
Conversas no aplicativo, localização do celular e venda dos objetos roubados ajudam a montar a linha do tempo.
Continue investigando
Toda quarta, às 21h, eu abro um caso real ao vivo.
Perguntas frequentes
Quem é o serial killer de Curitiba?
José Tiago Correia Soroka, de Palmas (PR). Foi preso em 29 de maio de 2021 e confessou três mortes de homens que conheceu por aplicativo.
Como a polícia identificou o serial killer de Curitiba?
Pelo relato do sobrevivente e pelas câmeras dos prédios, comparadas por reconhecimento facial com fotos de prisões anteriores dele.
Qual foi a pena de José Tiago Soroka?
104 anos, 4 meses e 6 dias no Paraná e 30 anos em Santa Catarina. Pela lei, o tempo máximo de prisão é de 40 anos.
Por que o caso não foi a júri popular?
Porque foi acusado de latrocínio, que é roubo seguido de morte. Esse crime é julgado por juiz, e não por júri.
Fontes
Material da aula e as matérias:
- Conhecedor de artes marciais e tecnologia: Polícia alerta sobre “serial killer” · Gazeta do Povo, 17/05/2021
- “Gosto de matar”, disse serial killer em ataque dias após assassinar jovem de MS · Campo Grande News, 24/05/2021
- Em depoimento, suspeito de ser serial killer confessa dois crimes contra homossexuais · Gazeta do Povo, 30/05/2021
- Serial killer de Curitiba deixava “assinatura” após matar homossexuais · Tribuna do Paraná, 30/05/2021
- Serial killer nega outras vítimas, mas morte de médico em 2016 está sob apuração · Campo Grande News, 31/05/2021
- MPPR desconsidera motivação homofóbica ao denunciar Tiago Soroka · Folha de Londrina, 23/06/2021
- José Thiago Soroka, serial killer de Curitiba, é condenado a mais de cem anos de prisão · Tribuna do Paraná, 14/07/2022
- Serial killer acusado de matar professor em SC tem pena mantida pela Justiça · NSC Total, 01/10/2022
Texto educativo, feito a partir de matérias públicas. Em respeito à memória de Robson, David e Marco Vinício e às famílias, não usamos fotos das vítimas nem dos corpos.