Caso real · Paraná e Santa Catarina · 2021

Serial killer de Curitiba: o que a perícia mostrou

Três mortes, um sobrevivente e as câmeras dos prédios. Quem deu nome ao autor foi a identificação.

3mortes entre
abril e maio
1sobrevivente que
mudou o caso
104anos de pena
no Paraná
5provas que
fecharam o caso
Henrique Tabosa, perito criminal
Por Henrique Tabosa, perito criminal há 17 anos

O caso em 30 segundos

  • Entre abril e maio de 2021, três homens gays que moravam sozinhos foram achados mortos em casa, no Paraná e em Santa Catarina.
  • O autor marcava encontros pelo Grindr, aplicava um mata-leão e levava celular, notebook, dinheiro e às vezes o carro.
  • Em 11 de maio, um quarto homem escapou do golpe e foi à polícia.
  • Câmeras dos prédios e reconhecimento facial levaram a José Tiago Correia Soroka, preso em 29/05/2021.
  • Ele confessou as três mortes. Foi condenado a mais de 104 anos no Paraná e a 30 em Santa Catarina.

Da primeira morte à prisão

Terça
Em Curitiba, os ataques foram às terças. Ele falava em “uma vítima por semana”.
16/04/2021

Robson Olivino Paim, professor da UFFS, é morto em Abelardo Luz (SC).

27/04/2021

O enfermeiro David Júnior Alves Levisio é morto em Curitiba.

04/05/2021

O estudante de Medicina Marco Vinício Bozzana da Fonseca é morto no bairro Portão.

11/05/2021

No Bigorrilho, um homem escapa do mata-leão e procura a polícia.

29/05/2021

Soroka é preso no bairro Capão Raso, em Curitiba.

08/07/2022

Condenado no Paraná a 104 anos, 4 meses e 6 dias.

Como a polícia chegou a ele

1
O padrão

A DHPP comparou as mortes de David e Marco Vinício: mesmo perfil, mesma asfixia, corpo na cama, pertences levados.

2
O sobrevivente

O homem atacado em 11 de maio descreveu o agressor e ajudou no retrato falado.

3
As câmeras

As câmeras dos condomínios mostravam um homem de mochila saindo dos prédios das vítimas, na hora dos crimes.

4
As fotos antigas

O reconhecimento facial bateu as imagens com as fotos das prisões dele em 2015 e 2019.

5
Os dois estados

A troca de informações com Santa Catarina ligou a morte de Robson ao mesmo autor.

Aqui, identificar foi dar nome ao autor. A antropologia forense faz o caminho contrário: dá nome à vítima.

As 5 provas que fecharam o caso

1

A assinatura na cena

O autor vestia de novo a vítima, deixava o corpo na cama e trancava a porta por fora. O jeito de matar mudou, mas essa marca se repetiu.

O limite

Padrão aponta caminho, mas não identifica ninguém. A polícia comparou o caso com a morte de um médico em 2016. Soroka negou, e nunca houve condenação.

2

O rosto nas câmeras

As imagens dos condomínios foram comparadas com as fotos das prisões anteriores. Para o delegado Thiago Nóbrega, o reconhecimento facial foi “uma prova importante”.

O limite

Era pandemia: numa das imagens, o homem está de máscara e com a cabeça coberta. A biometria erra com imagem ruim. Serviu de indicação, fechada por outras provas.

3

O sobrevivente

Ele escapou do mata-leão, pediu ajuda a um vizinho e contou o ataque, inclusive a frase “Eu sou o Coringa”. Depois reconheceu Soroka.

O limite

A memória falha. Desde 2020, o STJ exige que o reconhecimento siga as regras do art. 226 do CPP. Por isso o relato valeu somado às outras provas.

4

O que as necropsias mostraram

Asfixia mecânica nas três vítimas. Segundo a Folhapress, David e Marco Vinício estavam com as mãos amarradas. Marco Vinício já tinha sinais de decomposição.

O limite

Sem sinais de resistência nos corpos, uma entidade LGBTI falou que as vítimas podiam ter sido dopadas. Só o toxicológico responde, e não há resultado público.

5

A confissão

Preso, Soroka confessou as três mortes e de 10 a 20 roubos. Disse que matava para roubar e comprar drogas, e negou ter outras vítimas.

O limite

Na morte de Robson, ele confessou na delegacia e voltou atrás em juízo. Por isso pesou a soma das provas.

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A sentença

Paraná · mortes de David e Marco Vinício104 anos, 4 meses e 6 dias

Regime fechado, por latrocínio (dois consumados e um tentado), extorsão e roubo. Sentença de 8/7/2022.

Santa Catarina · morte de Robson30 anos

O tribunal manteve a pena e negou trocar latrocínio por homicídio simples.

Como a acusação foi de latrocínio, não houve júri. Mesmo assim, a juíza escreveu que “o ódio que o acusado manifesta contra a comunidade LGBTQIA+ restou evidente”.

E se fosse hoje?

Laudo de comparação facial

Feito por perito, com método descrito, daria mais peso ao reconhecimento. Desde 2022, uma resolução do CNJ traz regras para isso.

DNA nas amarras e nas unhas

Coletado com cadeia de custódia, poderia ser comparado com o perfil do suspeito.

Dados digitais

Conversas no aplicativo, localização do celular e venda dos objetos roubados ajudam a montar a linha do tempo.

Perguntas frequentes

Quem é o serial killer de Curitiba?

José Tiago Correia Soroka, de Palmas (PR). Foi preso em 29 de maio de 2021 e confessou três mortes de homens que conheceu por aplicativo.

Como a polícia identificou o serial killer de Curitiba?

Pelo relato do sobrevivente e pelas câmeras dos prédios, comparadas por reconhecimento facial com fotos de prisões anteriores dele.

Qual foi a pena de José Tiago Soroka?

104 anos, 4 meses e 6 dias no Paraná e 30 anos em Santa Catarina. Pela lei, o tempo máximo de prisão é de 40 anos.

Por que o caso não foi a júri popular?

Porque foi acusado de latrocínio, que é roubo seguido de morte. Esse crime é julgado por juiz, e não por júri.

Fontes

Material da aula e as matérias:

Texto educativo, feito a partir de matérias públicas. Em respeito à memória de Robson, David e Marco Vinício e às famílias, não usamos fotos das vítimas nem dos corpos.